Suspender obras não é solução para as ciclovias de SP!

Boa Reflexão!

blog da Raquel Rolnik

Desde que começaram a ser implementadas, as ciclovias de São Paulo têm despertado reações diversas na cidade. Há motoristas que se irritampor ter de fato perdido espaço no trânsito, há os que se incomodam, mas que compreendem e apoiam a ação, e há ainda os que, diretamente beneficiados ou não, desejam realmente que o paradigma da mobilidade na cidade de São Paulo seja transformado. Pesquisas de opinião indicam, no entanto, que a maioria da população apoia a iniciativa.

Na semana passada, porém, a Justiça determinou a paralisação das obras cicloviárias da cidade – com exceção da ciclovia da Avenida Paulista –, atendendo a pedido do Ministério Público. Cicloativistas e organizações da sociedade civil imediatamente se mobilizaram, realizando protestos e divulgando carta na qual repudiam a medida.

Ainda que o MP tenha razão em alguns dos motivos que expõe, acredito que a paralisação das obras seja um equívoco. Vejamos:…

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Resenha – a máquina de fazer espanhóis – valter hugo mãe

“não é de se estranhar que os habitantes do asilo sintam-se sortudos de terem ao seu lado uma figura tão emblemática da poesia portuguesa. esteves, o jovem que o poeta via, da sua janela, ir todos os dias à tabacaria, a antítese de fernando pessoa, um homem sem metafísica, sem preocupações transcendentais.

essa ausência de metafísica é um dos temas fortes do livro, que analisa, por meio da decadência daqueles velhos, partes fundamentais da história recente de portugal, em especial a ditadura de salazar. é um livro político? o silva, o protagonista, nunca quis falar de política, passou a vida se esquivando de discussões desse tipo. queria ficar ao lado de sua esposa, zelava pela segurança dela e de sua família. era, à sua maneira, um homem também sem metafísica.”

Catálise Crítica

maquina-fazer-espanhois

Por José Leonardo Ribeiro Nascimento

há bastante tempo desejava ler este livro. fã que sou da cosac naify, a máquina de fazer espanhóis é um dos trabalhos gráficos mais belos da editora. lembro de ter lido, quando pesquisei sobre valter hugo mãe, que josé saramago derramara-se em elogios sobre o escritor angolano. quando vi que ele não só escrevia seu nome em minúsculas, como também escrevera todo este romance sem uma letra maiúscula sequer, não pude deixar de achar algo presunçoso, um desejo exagerado de ser diferente, ao menos na forma.

fui deixando a compra do livro para depois e esperei até meu aniversário, na última semana. minha querida esposa, andréa, me deu não um, mas dois livros de valter hugo mãe. comecei por este, e adianto que achei… esperem! é melhor eu falar a minha opinião no final, correto? vamos tentar manter um pouquinho de suspense, para variar só…

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O Estatuto da Metrópole e seu financiamento

Uma boa reflexão sobre o recente aprovado Estatuto da Metrópole. Questões polêmicas permanecem em aberto: O fundo pra financiar o Plano Metropolitano Integrado, a possibilidade do Estado promover Operações Urbanas e a governança metropolitana. A Região Metropolitana de São Paulo não tem um Plano Metropolitano desde 1994, quando o último foi elaborado pelo saudoso Jorge Wilheim, mas infelizmente foi engavetado. A crise da água, os problemas de mobilidade urbana e habitação e a questão ambiental, que entre outros temas requerem um tratamento integrado são exemplos da dificuldade em gerir as nossas grandes regiões metropolitanas.

Segue o Link para o último Plano Metropolitano realizado em 1994 pela EMPLASA: http://200.144.28.155/enerweb/22%2022.02%2015.24/22%2022.02%2015.24.pdf

https://youtu.be/P8k7hcH6pek

Ilustração: Luisa Moritz Kon. Ilustração: Luisa Moritz Kon.

Por Luciana Royer*

O arranjo tripartite que caracteriza a federação brasileira tem gerado questões que parecem de difícil resolução para as nossas cidades. É sabido que os limites administrativos municipais não correspondem aos limites físicos das metrópoles e algumas soluções no sentido de fortalecer jurídica e administrativamente as chamadas regiões metropolitanas e aglomerações urbanas vêm sendo objeto de discussão desde a Constituição Federal de 1988. O Estatuto da Metrópole, lei federal 13.089/2015 aprovada em janeiro, insere-se nesse debate.

Um ponto importante que o estatuto traz é a obrigação de promover a governança interfederativa (art. 3º, parágrafo único), por meio de instâncias executiva e colegiada deliberativa e de um sistema integrado de alocação de recursos. Essa estrutura de governança é inclusive colocada como requisito para a instituição de novas regiões metropolitanas. Outro ponto importante do estatuto é a previsão de um plano de desenvolvimento urbano integrado que…

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A autocrítica de Jorge Wilheim

O texto a seguir publicado no Blog http://www.jorgewilheim.com.br/legado/Post/visualizar/12#.VP8amKANoV4.facebook
Registra com grande sensibilidade e precisão as últimas reflexões do nosso querido Mestre Jorge Wilheim

Por Julio Moreno*

O computador do arquiteto e urbanista Jorge Wilheim, recém falecido, guarda um precioso conteúdo: o texto, talvez incompleto, de seu novo livro. Tema: a cidade do novo milênio. “Meu interesse maior no momento é o livro”, ele foi logo me avisando quando estive em seu escritório em fins de outubro de 2013. Eu pedira uma entrevista, para a revista “Projeto”, sobre o novo Plano Diretor proposto pela Prefeitura para a Câmara. Apesar de não se negar a discutir o tema comigo, Wilheim não queria entrar em polêmicas. “Eu estou um passo além, não estou falando mais em metrópoles, mas em metápolis, que são as regiões urbanizadas”.

Não estranhei. A contribuição intelectual de Jorge Wilheim não se limita à vasta e rica produção como arquiteto, urbanista e homem público. Era um pensador irrequieto ou, como preferia dizer, um sujeito convicto de que a essência da vida é aprender. No seu caso, também refletir, compartilhar, debater e ensinar.

Em seus livros, artigos e palestras, a questão da cidade está sempre inserida no contexto maior do momento. Levando em conta a espiral da história, ele acreditava que as instabilidades, incertezas e insegurança causadas pelas alterações estruturais em curso podem nos conduzir não ao caos, mas a um novo Renascimento. “O novo humanismo do século XXI cristalizaria alguns valores hoje em gestação, e nele ficaria mais clara a noção de cidadania e dos direitos humanos”.

Na visão de Jorge Wilheim, o novo Plano Diretor proposto para São Paulo é, no geral, bom, mas carece de “uma versão compreensível e mobilizadora”, com explicações claras do que se pretende fazer com a cidade. “É certo que tivemos as audiências públicas, como pede o Estatuto da Cidade, mas elas representaram um esforço muito grande frente aos resultados obtidos”. O arquiteto trataria disso no ”pequeno livro sobre o significado contemporâneo do urbanismo”.

De uma certa forma, ele próprio ressaltava, será uma autocrítica. Wilheim se dizia atormentado nos últimos tempos com dois tipos de ações urbanas cujos conceitos deveriam ser reformulados: um é o Plano Diretor, outro o EIA RIMA – conjunto dos estudos e relatórios de impacto ambiental. “Em ambas as coisas conseguimos avanços consideráveis, fomos pioneiros, mas fomos também capazes de criar um novelo, um emaranhado de ações que amarram nossos pés e mãos, tirando a clareza do que queremos fazer. Ou seja, preparar a cidade do futuro, melhorando seu presente, e na parte ambiental criar a sustentabilidade ambiental”.

Ele, que foi um dos formuladores do conceito de Plano Diretor no País, a partir do plano de Curitiba, julgava que o modelo se esgotara, transformando-se numa legislação de “leitura absolutamente insossa, que não permite visualizar qual é a intenção do urbanista”. Em seu livro, ele defende a separação da legislação do Plano Diretor da lei do uso e ocupação do solo. A lei do solo é necessária para dar garantia jurídica à propriedade, pública ou privada. Não pode haver dúvida sobre o que se permite construir ou não. Isso se faz por lei. Quanto ao desenvolvimento da cidade começo a duvidar se a coisa mais mobilizadora é um texto de lei e se deve ser formulado dessa forma”.

Seu envolvimento no setor ambiental vinha desde a Conferência de Estocolmo, em 1972, ação pioneira da ONU sobre as relações do homem com o meio ambiente. “E sempre colocando a sustentabilidade como adjetivo de desenvolvimento. O adjetivo passou a ser substantivo. E agora virou moda, tem gente que usa e nem sabe do que está falando”. Segundo ele, hoje há um excesso de normas e ações no setor. São exigidos pareceres ambientais para Municípios, Estados e União. “Temos os estudos de impacto ambiental, de avaliação ambiental, de impacto de vizinhança… Não está claro quando se aplica um ou outro. Além de documentos diversos, temos momentos diversos e não está claro quando se aplica. Numa obra grande até o canteiro de obras necessita estudo de impacto. Depois existe uma aprovação de início de obras e do término da obra. Conseguimos criar um emaranhado não só inútil e desgastante, além de mal formulado, que só aumenta o “custo Brasil”. Sem contar que o Ministério Público pode interferir no processo a qualquer momento.

Nesse contexto, Jorge Wilheim defende “simplificar e voltar a ter bom senso”. Pois há desafios maiores vindo por ai, que devem merecer mais atenção, como as metápolis, classificação dada pela agência Habitat da ONU – cuja conferência mundial de 1996 ele ajudou a organizar – para as manchas urbanas que unem metrópoles e cidades médias. Uma fusão veloz e não necessariamente territorial, mas que se dá mais por conta da interdependência, marcados por enormes tráfegos físico e digital. É o caso da relação da Grande São Paulo com São José dos Campos, a Baixada Santista e as regiões de Campinas, Jundiaí e Sorocaba. O resto de seu pensamento está guardado na memória de seu computador. Esperemos que a família o recupere e publique essa última reflexão do grande urbanista.

*Julio Moreno é jornalista e assessor chefe de comunicação do Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Brasil (CAU). Acompanhou a trajetória de Jorge Wilheim na condição de jornalista da área de cidades desde a década de 1970.

As Igrejas do Rosário

SAMPA HISTÓRICA

Boa Tarde!

A primeira capela da irmandade foi construída por um grupo de católicos negros na Praça Antônio Prado, antigo Largo do Rosário, por meio de doações. No século 19, erguiam-se ali pequenas casas que serviram para administração e atividades sociais da igreja. Alguns anos depois, por conta de um projeto de urbanização, a igreja do Rosário foi demolida e a Prefeitura concedeu a área do Largo do Paiçandu para a construção da nova capela como indenização, nessa época, a Praça Antônio Prado passou a ser considerada um dos mais importantes locais na cidade, por onde passavam diversas linhas de bonde e ficavam os bons restaurantes e confeitarias. A Igreja atual é de 1906.

Igreja do Rosário, ainda no Largo do Rosário (atual Praça Antonio Prado) em postal c 1903. Igreja do Rosário, ainda no Largo do Rosário (atual Praça Antonio Prado) em postal c. 1900 / 1903.

A Igreja do Rosário já no Largo do Paiçandu, em do início da década de 1910. A Igreja do Rosário já no Largo do Paiçandu, em do início da década de 1910.

O nome original…

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