Ainda sobre a Crise da Água na Região Metropolitana de São Paulo – RMSP. Pequenos reservatórios subutilizados

Transcrevo uma sugestão importante do Prof Candido Malta sobre o reaproveitamento de pequenos sistemas, abandonados pela política das grandes obras e pela ilusão de que sempre teríamos água em abundância. No contexto da crise da água na RMSP, segundo o prof Candido Malta, um das alternativas a ser mobilizada é a recuperação do uso do manancial da Cantareira original que deu origem ao Horto Florestal e a Parque  Estadual da Cantareira. Originalmente o manancial de pequeno porte fornecia 0,9 m³ por segundo para a cidade de São Paulo. Era o seu grande sistema de abastecimento no inicio do século XX.  Se 1 m³ atende 300 mil habitantes, 0,9 m³ atenderia 270 mil. O sistema foi desativado na década de 60 e substituído pelo  que capta água até no sul de Minas e que enganosamente recebeu o mesmo nome. Com essa denominação de Cantareira ninguém se dá conta que o verdadeiro Cantareira está  desativado. Porém um Plano de Manejo/ 2009 do Parque Estadual da Cantareira  acessível pela Internet da conta da  quantidade (Conclusão a  pág. 78  e levantamentos a pág. 81 e 82), qualidade (Tabela  17. pág.79) e da sua destinação da água de melhor qualidade que temos a disposição pois proveniente de uma serra ( da Cantareira) toda preservada enquanto mata atlântica totalmente recuperada após mais de 100 anos de crescimento, após desapropriação da área pelo governo estadual com a finalidade de produzir água para São Paulo. (ver histórico de sua formação a pág.20-Introdução). Uma parte do sistema está abastecendo bairros do município de Guarulhos: da subbacia do Cabuçú reduzindo 0,2 m³/ segundo restando 0,9 – 0,2= 0,7 m³/seg. Destes 0,7 , cerca de outros 0,2 é utilizado para o núcleo urbano  Águas Claras na Serra da Cantareira. Muito bem restam 0,5 m3/seg sendo desperdiçados. Atenderiam em condições normais de produção de água 150 mil habitantes. É simplesmente  jogado serra abaixo, como a da Represa  do Córrego Cassununga, localmente chamada de represa da SABESP, servindo nos dias de calor para uma garotada tomar banho de cachoeira, junto a Estrada do Engordador. Um verdadeiro acinte. O sistema original de captação  de águas das inúmeras nascentes é de incrível qualidade quanto a qualidade da alvenaria, estando intacta após mais de 100 anos de sua construção apesar do abandono há 50 anos. A tubulação de ferro fundido de 60 cm de diâmetro que  levava para a caixa d`água situada na chamada até hoje de junção, onde a Av. Jose Ermírio de Morais encontra a Av Nova Cantareira, talvez possa ser ainda utilzada após eventual  recuperação.  O Prof Candido Malta tem chamado a atenção de muitas autoridades para a questão  há mais de 10 anos, algumas indo até o local a seu convite, para comprovar suas afirmações mas até hoje não obteve respostas positivas. Talvez agora a crise da falta d`água  chegando a pontos dramáticos, uma obra pequena, porém ambientalmente significativa , daquelas que não interessam as grandes empreiteiras, possa ser realizada. (Candido Malta em SP 20 de janeiro de 2015).

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2 comentários sobre “Ainda sobre a Crise da Água na Região Metropolitana de São Paulo – RMSP. Pequenos reservatórios subutilizados

  1. Comentário do Luiz Gonzaga Maia: Embora um manancial com 0,5 m3/s não seja desprezível, na atual situação de calamidade pública, há algumas dificuldades técnicas.

    Evidentemente trata-se de um manancial de água bruta.
    Por melhor que seja a sua qualidade, haveria necessidade de tratamento para enquadrá-lo nos padrões de potabilidade, antes da distribuição no sistema público.

    Ou seja, necessidade de encaminhar a água captada para a ETA Guaraú ou para o Reservatório mais próximo, do Sistema Cantareira.

    Dependendo da distância e da topografia do terreno, quase certeza que precisaríamos, no mínimo, de uma bela Estação Elevatória seguida de uma Linha de Recalque.

    Isso levaria uns 2 anos, para os levantamentos de campo, projetos executivos, licitação de obras, compra dos materiais, execução das obras, licenciamentos ambientais, etc.

    Dois anos na melhor hipótese.

    Mas a necessidade absoluta de água é imediata e a situação é gravíssima. Mas a omissão geral, principalmente da midia, é criminosa.

  2. Comentário do Prof. Candido Malta
    Companheiros: a captação da água do sistema antigo da Cantareira está a 900 m de altitude. Está a meio caminho entre a parte mais baixa, 750 m e a mais alta, 1100 m. Basta ver caixa d`agua da chamada Junção que junta o sistema oeste que vem de Perus com o leste que vem de Guarulhos. Em um total de cerca de 10 km, 5 km para cada lado da Junção. Em um pracinha no ponto final do micro onibus Jardim Guançã. Exatamente na esquina da Av. Nova Cantareira e Av. José Erminio de Morais. Onde passava a antiga estrada para o Juqueri. Fica junto do atual Clube da SABESP onde acredito que por gravidade acessava a estação de tratamento em cota aproximadamente de 850. E por gravidade essa agua ia para a cidade para o reservatório da Consolação. A única estação elevatória existia do Núcleo do Engordador em cota de altitude mais baixa de cerca de 750 m. Existem lá ainda para visitação pública o remanescente do sistema. Ele recebia água inclusive do córrego Cabuçú de Cima.Este subsistema está outorgado pela SABESP para Guarulhos. Obviamente haverá algum custo para por para funcionar novamente o sistema. Será obviamente muito menor que trazer água do Vale da Ribeira bombeando os cerca de 400 m de desnivel. Ou dessalinizar agua do mar e bombear 800 m Serra do Mar acima.Certamente se tenha que colocar novas bombas no Núcleo Engordador. Talvez trocar a tubulação de ferro fundido. As obras de alvenaria das represas de captação estão perfeitas ou quase. As que visitei junto a Estrada do Engordador estão. Certamente a grande Estação de Tratamento do Guaraú, que recebe as aguas do atualmente chamado de Sistema Cantareira, está situada em cota abaixo da da Junção, o que será mais uma grande economia. Pois o velho sistema poderá acessar o novo por gravidade. A estação ETA Guaraú se situa nas proximidades da antiga estação de tratamento ou mesmo no lugar dela. Mas a grande economia está em não jogar fora 0,5 m3 por segundo que atenderia 150 mil habitantes, quando em seu pleno funcionamento e obviamente menos agora com a estiagem. E será a água com o menor custo de tratamento pois o mesmo será apenas o da eliminação de coliformes fecais e outros residuos produzidos por uma floresta protegida da ação humana. Muito diferente do tratamento de águas contaminadas por esgotos. E por poluição difusa derivada da lavagem das superficies urbanizadas pelas chuvas e da diluida nos esgotos dos hormonios e antibióticos que entram na alimentação humana, não coletável e tratável pelo sistema de esgotos. Certamente é uma das mais puras água na origem, a ser servida para os paulistanos. Bem, espero que essa argumentação adicional seja suficiente para despertar a necessária indignação, por tal desperdício de gua, hoje o bem mais precioso de nossa metrópole. E para se avaliar a qualidade da agua cientificamente basta olhar o Plano de Manejo do Parque Estadual da Cantareira que o realizou. O baixo valor de investimento para recuperar o sistema interessará o pequeno empreiteiro certamente e não o grande e menos ainda o enorme. Talvez até uma PPP pudesse dar certo no caso. A SABESP talvez devesse criar uma diretoria para essas pequenas mas essenciais iniciativas. As circunstâncias dramáticas da escassês de água a estão obrigando a apelar para todas as possibilidades. E essa , especialmente , não pode ficar de fora. Candido Malta Arquiteto e Urbanista Professor Emérito da FAU USP.

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