Premissas do passado norteiam o novo Plano Diretor

Mílton Jung

Por Carlos Magno Gibrail

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Tomando a mobilidade como uma das metas principais a serem alcançadas, autores e apoiadores do Plano Diretor têm usado argumentos fora de conexão com a atualidade.

Uma das premissas é que o Plano possibilitará a criação de moradias e empregos dentro do mesmo bairro, evitando que os moradores cruzem a cidade para ir de casa ao trabalho. Por isso será permitido o adensamento residencial e comercial. Ora, hoje as pessoas mudam de emprego várias vezes no transcurso de seu período de trabalho, e continuam no mesmo endereço.

A outra premissa é que os corredores comerciais propostos ajudarão na diminuição da mobilidade, pois fornecerão produtos aos moradores da região, evitando que se desloquem para fazer compras. Sem contudo interferir na qualidade da região. Premissa tão falsa quanto a primeira, pois está baseada no passado. Hoje, o pequeno varejo de cadernetas de fiado, deu lugar a formatos que…

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Como veríamos 2015 em 2020, segundo a Secretaria Estadual de Meio Ambiente: A Profecia!

“O Cenário de 2015: De volta ao passado visto de um futuro sombrio em 2018, de um estudo da Secretaria Estadual do Meio Ambiente em 2009
“Cenários 2020”: Estudo elaborado em 2009 pela Coordenadoria de Planejamento Ambiental da CPLA, com tendências ambientais previstas para 2020.
A página 38 apresenta um parágrafo ilustrador, que apresento abaixo, mas existe outros trechos interessantes. Este parágrafo é redigido como se estivéssemos em 2020, de acordo com o estudo realizado em 2009.

“O ano de 2018 significou um marco na história
do uso da água no Estado de São Paulo e os problemas
verificados podem ser considerados uma
continuação daqueles da crise de 2015. Em determinadas
regiões, em função do uso intensivo
de agrotóxicos (defensivos agrícolas) e fertilizantes
(adubos), as águas superficiais e subterrâneas
foram afetadas, comprometendo o abastecimento
público de alguns municípios. Ações judiciais se
multiplicaram, no rastro das manifestações populares
que reivindicaram o abastecimento público
em detrimento do agronegócio.”

Ou seja. Um estudo de planejamento ambiental já previa a crise que estamos vivenciando em 2015

O trabalho encomendado pela Secretaria de Meio Ambiente ao Instituto Sagres ouviu 200 especialistas visando traçar os cenários ambientais para 2020. Nele, é prevista a crise de 2015, se nada fosse feito.

Na apresentação, o Secretário Francisco Graziano Neto escreveu:

“As políticas públicas aqui propostas visam atingir a melhor qualidade ambiental no Estado de São Paulo até o fi nal da próxima década, por meio de ações articuladas entre o poder público, iniciativa privada e sociedade civil organizada. Espera-se que este projeto seja precursor de muitas iniciativas de planejamento ambiental, tanto em nível estadual quanto regional.

Com cenários e propostas estabelecidos, cabe a nós, agora, transformá-los em realidade.

Menos discurso e mais gestão ambiental. Mãos à obra, para o bem, e o futuro, da Humanidade”.

Na página 27 o estudo traça o Cenário de Referência – o cenário provável se nada fosse realizado.

http://www.ambiente.sp.gov.br/cpla/2013/03/14/cenarios-ambientais-2020/

http://jornalggn.com.br/luisnassif/

Ainda sobre a Crise da Água na Região Metropolitana de São Paulo – RMSP. Pequenos reservatórios subutilizados

Transcrevo uma sugestão importante do Prof Candido Malta sobre o reaproveitamento de pequenos sistemas, abandonados pela política das grandes obras e pela ilusão de que sempre teríamos água em abundância. No contexto da crise da água na RMSP, segundo o prof Candido Malta, um das alternativas a ser mobilizada é a recuperação do uso do manancial da Cantareira original que deu origem ao Horto Florestal e a Parque  Estadual da Cantareira. Originalmente o manancial de pequeno porte fornecia 0,9 m³ por segundo para a cidade de São Paulo. Era o seu grande sistema de abastecimento no inicio do século XX.  Se 1 m³ atende 300 mil habitantes, 0,9 m³ atenderia 270 mil. O sistema foi desativado na década de 60 e substituído pelo  que capta água até no sul de Minas e que enganosamente recebeu o mesmo nome. Com essa denominação de Cantareira ninguém se dá conta que o verdadeiro Cantareira está  desativado. Porém um Plano de Manejo/ 2009 do Parque Estadual da Cantareira  acessível pela Internet da conta da  quantidade (Conclusão a  pág. 78  e levantamentos a pág. 81 e 82), qualidade (Tabela  17. pág.79) e da sua destinação da água de melhor qualidade que temos a disposição pois proveniente de uma serra ( da Cantareira) toda preservada enquanto mata atlântica totalmente recuperada após mais de 100 anos de crescimento, após desapropriação da área pelo governo estadual com a finalidade de produzir água para São Paulo. (ver histórico de sua formação a pág.20-Introdução). Uma parte do sistema está abastecendo bairros do município de Guarulhos: da subbacia do Cabuçú reduzindo 0,2 m³/ segundo restando 0,9 – 0,2= 0,7 m³/seg. Destes 0,7 , cerca de outros 0,2 é utilizado para o núcleo urbano  Águas Claras na Serra da Cantareira. Muito bem restam 0,5 m3/seg sendo desperdiçados. Atenderiam em condições normais de produção de água 150 mil habitantes. É simplesmente  jogado serra abaixo, como a da Represa  do Córrego Cassununga, localmente chamada de represa da SABESP, servindo nos dias de calor para uma garotada tomar banho de cachoeira, junto a Estrada do Engordador. Um verdadeiro acinte. O sistema original de captação  de águas das inúmeras nascentes é de incrível qualidade quanto a qualidade da alvenaria, estando intacta após mais de 100 anos de sua construção apesar do abandono há 50 anos. A tubulação de ferro fundido de 60 cm de diâmetro que  levava para a caixa d`água situada na chamada até hoje de junção, onde a Av. Jose Ermírio de Morais encontra a Av Nova Cantareira, talvez possa ser ainda utilzada após eventual  recuperação.  O Prof Candido Malta tem chamado a atenção de muitas autoridades para a questão  há mais de 10 anos, algumas indo até o local a seu convite, para comprovar suas afirmações mas até hoje não obteve respostas positivas. Talvez agora a crise da falta d`água  chegando a pontos dramáticos, uma obra pequena, porém ambientalmente significativa , daquelas que não interessam as grandes empreiteiras, possa ser realizada. (Candido Malta em SP 20 de janeiro de 2015).

10 mitos sobre a crise hídrica

cosmopista

seca

Gostaria de desmistificar alguns pontos sobre a crise hídrica em SP, assunto que tangencia minhas pesquisas acadêmicas.

1- “Não choveu e por isso está faltando água”. Essa conclusão é cientificamente problemática. Existem períodos chuvosos e de estiagem, descritos estatisticamente. É natural que isso ocorra. A base de dados de São Paulo possibilita análises precisas desde o século XIX e projeções anteriores a partir de cálculos matemáticos. Um sistema de abastecimento eficiente precisa ser projetado seguindo essas previsões (ex: estiagens que ocorram a cada cem anos).

2- “É por causa do aquecimento global”. Existem poucos estudos verdadeiramente confiáveis em São Paulo. De qualquer forma, o problema aqui parece ser de escala de grandeza. A não ser que estejamos realmente vivendo uma catástrofe global repentina (que não parece ser o caso esse ano), a mudança nos padrões de chuva não atingem porcentagens tão grandes capazes de secar vários reservatórios de um ano…

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A crise de abastecimento de água na Região Metropolitana de São Paulo.

A situação da seca e da redução dos volumes dos reservatórios da Região Metropolitana de São Paulo vem se agravando. Parece mesmo que estamos num Titanic e todos estão atordoados sem saber por onde começar, enquanto o barco está afundando. Mas as iniciativas particulares da população estão crescendo mesmo sem muita orientação. Muitos condomínios estão furando poços de água subterrânea para se precaverem. Não há uma única solução coletiva, mas na verdade há muito o que fazer: reuso de efluentes de estação de tratamento de esgotos, captação de água de chuva em cisternas, e outras medidas para enfrentarmos a crise. Abaixo, segue uma entrevista interessante, publicada hoje na Folha de São Paulo, com a hidróloga americana Newsha Ajami, da agência de águas da costa oeste (Califórnia) criticando a falta de iniciativa governamental em medidas de curto prazo, tais como, a redução de perdas no sistema de distribuição de águas, despoluição e uso das águas do Tietê, entre outras medidas de curto prazo. Os novos sistemas de grande porte só entrarão em operação em 2018 (caso do São Lourenço) e agora, a reversão da represa do Jaguari para a represa do Atibainha, e não se sabe o que fazer para chegarmos até lá. Qual é o Plano de Contingência?

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidiano/204594-medidas-de-curto-prazo-podem-ajudar-a-conter-crise-da-agua-em-sao-paulo.shtml

Segundo meu amigo e grande hidrologista aposentado da CETESB, Milo:

A única coisa que a NEWSHA não sabe é que na realidade temos duas redes de esgoto. Uma, a rede de esgoto propriamente dita e outra a das  galerias de águas pluviais. Quando a SABESP tentou limpar o Córrego do Sapateiro que alimenta o Lago do Ibirapuera não conseguiu. Em curto espaço de tempo, após a eliminação dos lançamentos clandestinos o córrego voltou a ficar poluído. Mesmo assim, acho uma boa idéia. As idéias dela (NEWSHA) tem muita lógica. A empregada de nossa casa não entende com toda a água da inundação da RMSP não pode ser aproveitada. Temos que ser criativos.Como não temos controle, melhor seria talvez que nosso sistema de tratamento de esgotos fosse do tipo Unitário e não Separador Absoluto. E quanto ao aproveitamento da Billings em larga escala? A água está boa o Rubens Monteiro de Abreu meu amigo, defende a tese de seu aproveitamento desde a época da prefeita Erundina, quando no concurso das águas por ela instituído ele foi premiado em segundo lugar. O único parâmetro que não atende hoje é o do teste  de toxicidade (Daphnia). Com tratamento avançado (veja o Report – Brief – FInal anexado) acredito que não teríamos problemas em utilizar a água da represa Billings.

A SABESP e o Governo do Estado de São Paulo precisam apresentar um Plano de Contingência

A crise hídrica e a situação crítica do Sistema Cantareira impõe a apresentação à toda a sociedade de um Plano de Contingência para enfrentarmos essa situação dramática. Qual é? Racionamento? Rodizio? Multa para excesso de consumo? O fato é que estamos mesmo a beira de um colapso sem precedentes!

http://www.nossasaopaulo.org.br/noticias/alarme-por-oded-grajew

http://deolhonotempo.com.br/agua-deve-acabar-e-colapso-acarretara-em-exodo-urbano-em-sao-paulo-afirmam-especialistas/

http://noticias.uol.com.br/ciencia/ultimas-noticias/afp/2015/01/16/o-ano-de-2014-foi-o-mais-quente-na-historia-moderna.htm