Moradia não é caso de polícia

blog da Raquel Rolnik

Edifício é ocupado pela FLM (Frente de Luta por Moradia e fica na Av. São João, altura do número 605

Na última terça-feira, mais uma vez a cidade de São Paulo presenciou cenas absurdas de violência. Mais uma vez – já que esta não foi a primeira – a reintegração de posse de um edifício que, abandonado há anos, havia sido ocupado por famílias sem teto foi executada pela Polícia Militar. Desta vez, foi o prédio do Hotel Aquarius, na Avenida São João, centro da cidade.

Crianças gritando, mulheres tentando se proteger de pauladas, gás lacrimogênio, gente sangrando… cenas de guerra. Mas… guerra de quem contra quem? As cenas que testemunhamos esta semana simplesmente indicam que está tudo errado!

Senão vejamos: seria possível argumentar que a Polícia Militar estava simplesmente executando a ordem judicial para desocupar o prédio. E que só saíram na porrada porque os moradores não quiseram deixar o imóvel pacificamente. Mas, vamos examinar ponto por ponto estas afirmações.

Em primeiro lugar: por que será que mais de…

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Não é por falta de leis, pois elas estão ai para promover a reforma urbana e acabar com a especulação imobiliária urbana

Atualizado: Excelente matéria. Realmente não é por falta de leis, pois elas estão ai para promover a reforma urbana e acabar com a especulação imobiliária urbana. Por outro lado a desapropriação por via legal conta com a conivência de péssimos avaliadores que trabalham para o judiciário. O caso do HOTEL é bem representativo. Foi avaliado em 40 milhões pelo judiciário o que fez o prefeito desistir da negociaçãoi. O Prefeito Haddad precisa agilizar a aplicação dos instrumentos criados no PDE desde 2002! Parabéns pela lucidez da matéria. A violência desmedida do governo estadual foi outro traço absurdo desse episódio. Chega de violência contra a população que busca solução para a crise da moradia nas cidades brasileiras.(Editar)

Para os detalhistas

quando a cidade era mais gentil

A foto foi tirada de alguma janela do edifício Saldanha Marinho, na rua Líbero Badaró, em direção à Paulista, e é daquelas que me fazem perder muito tempo.

Passei horas passeando pela 9 de Julho (à direita) e pela rua Santo Antônio (à esquerda), parando em cada porta, lendo os letreiros, explorando cada lugar e reparando nos detalhes. São tantos, que não vou falar deles aqui. Sugiro que vocês mesmos os procurem. É só clicar na foto que ela cresce o suficiente. Bom passeio!

A foto é de Aristodemo Becherini (1911-1985) e está catalogada na coleção do Museu da Cidade como sendo de 1950.  Mas o Fabio de Paula, que mandou a foto e sugeriu o post, desconfia que essa data esteja errada: deve ser um pouco antes, perto de 1945.

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A última floresta e brejos nativos do Rio Pinheiros estão condenados a virar concreto em frente ao Parque Burle Marx no Panamby

Árvores de São Paulo

Vista da área em frente ao Parque Burle Marx Vista da área em frente ao Parque Burle Marx – restos de um Rio Pinheiros que já teve curvas sinuosas, brejos e muita biodiversidade

Aquilo que na verdade todo paulistano frequentador do Parque Burle Marx, no Panamby – Zona Sul, pensava que era um pedaço do querido parque repleto de Mata Atlântica não passava infelizmente de uma farsa. A área com 5000 árvores é privada e não tem nada a ver legalmente com o parque… Mais uma pegadinha para o já tão sofrido verde e qualidade de vida da metrópole. E a sentença de morte da área já parece que está anunciada com a intenção de se construir ali mais algumas torres e shopping.

Área que está sendo ameaçada de desaparecer junto com sua raríssima fauna e flora Dentro do tracejado amarelo, a área que está sendo ameaçada de desaparecer junto com sua raríssima fauna e flora

O absurdo dos absurdos em qualquer país civilizado. A convite do advogado Roberto Delmanto,  que representa três associações de…

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