A explosão da aeronave da FAB em pleno vôo levou a quase 27 anos vida de José Eduardo Vieira Raduan e Marcos Freire, em acidente até hoje não foi totalmente esclarecida

Há cerca de 27 anos perdíamos o Senador Marcus Freire e o Engenheiro José Eduardo Vieira Raduan em acidente aéreo em Carajás. A explosão da aeronave da FAB em pleno vôo, e a morte de ambos, vorazes críticos da ditadura de 1964, ainda hoje não foi totalmente esclarecida.Naquela caso o laudo das causas do acidente foi muito questionado, pois o avião ficou pousado no aeroporto de Carajás à vespera do acidente. O laudo concluiu que pássaros entraram nas turbinas e foram responsaveis pela derrubada do avião, após a decolagem na Serra dos Carajás. Toda a equipe do INCRA e seus amigos sabiamos das ameaças de morte que sofriam por parte de grupos ruralistas na fase pré Assembleia Nacional Constituinte, pelo capítulo da reforma agrária. Meu grande amigo José Eduardo Vieira Raduan – Presidente do INCRA tinha apenas 34 anos, era uma liderança estudantil que ajudou a recriar o DCE LIVRE da USP e uma liderança dos Engenheiros do IPT. Foi Superintendente da Sudelpa no Governo Franco Montoro e lutou incansavelmente pelas diretas já. Raduan estava com o Marcos Freire no avião com mais pessoas da equipe do Incra. Tal como Eduardo Campos eram grandes lideranças nacionais que tiveram suas vidas ceifadas pelos acidentes aereos quando ainda tinham muito a contribuir para a democracia brasileira! Pranteio aqui a memoria desses grandes brasileiros! Esse é mais um caso para a Comissão da Verdade nacional apurar!

Anúncios

Os Impactos Urbanísticos e Ambientais do Plano Diretor Estratégico na Vila Madalena

Imagem1 Eixos Vila MadalenaCom o novo Plano Diretor haverá um risco excessivo de adensamento e verticalização no entorno da Estação do Metro da Vila Madalena. O Plano Diretor Estratégico permite imediatamente desde a sanção da lei no dia 01 de Agosto de 2014 que passe a ocorrer a demolição dos sobrados para o remembramento de lotes em busca da criação de glebas maiores do que 1,000 m2, em um perímetro de cerca de 600 km² (vide perímetro abaixo).

AJ16
Tudo isso é permitido para poder viabilizar o modelo de ocupação previsto, que permite a construção de edifícios de até 40 metros de altura, ou seja, quatro vezes o tamanho de cada lote, e com limites para o tamanho das unidades/apartamentos de até 80 m2, para garantir um maior adensamento populacional. Tudo isso ocorrerá porque os terrenos vão se valorizar e os sobrados valerão muito mais pelos seus terrenos do que pelas respectivas áreas construídas, com vantagens e valorização para os proprietários atuais que certamente passarão gradualmente a vendê-los para as grandes construtoras construir com as incorporações de glebas. Só ficarão aqueles que resistirem por razões sentimentais, até mesmo aqueles com algum interesse cultural.
O mais grave, é que isso ocorrerá sem nenhum projeto urbano conduzido pelo poder público e/ou até mesmo mediante concurso de projeto como se faz no mundo desenvolvido. Ao contrário, nesse perímetro (em cinza no mapa anexo) será permitido ocupar ruas entre sete e doze metros de largura com prédios de até 40 andares. Para uma transformação de tal magnitude ocorrer sem causar um enorme impacto ambiental seria necessário que o poder público fizesse esse planejamento, investindo na área, criando áreas verdes, alargando ruas e calçadas e garantindo novos equipamentos públicos como praças, postos de saúde, escolas e creches para planejar o desenvolvimento dessa transformação. Mas ao contrário, lamentavelmente, na ausência de um projeto urbano ficará para a iniciativa privada a responsabilidade de fazer o planejamento dessa área da Vila Madalena, principalmente onde ocorrerá a maior transformação, no entorno da estação do Metrô. Há que citar o tráfego nas ruas do bairro que já é terrível nos horários de pico, devido ao excesso de veículos que saem ou chegam à estação e que circulam nas principais ruas do bairro. Só com mais ônibus de qualidade circulando nas faixas exclusivas e com a inclusão de uma rede de micro ônibus no interior do bairro, alimentadores com destino às estações de metro e pontos de ônibus esse tráfego poderá diminuir e mais gente passará a utilizar o transporte coletivo deixando de usar seus carros para fazer suas necessidades cotidianas.
Há no meu entender aspecto positivo no Plano que é a limitação da altura dos prédios para até 28 metros de altura e de limite de oito pavimentos no miolo do bairro (fora desse eixo), o que trará algum benefício, mas de per si, não garante o planejamento com qualidade urbana e ambiental e, a manutenção da vida boemia da Vila no quadrilátero dos bares e restaurantes. Estes terão que migrar gradualmente para se alojar no térreo dos edifícios de escritórios ou residenciais, mas certamente perdendo o charme que tem hoje.
Resta aos munícipes lutar por seu Plano de Bairro e incluir na nova lei de zoneamento a redução desses limites excessivos e da permissividade colocada pelo adensamento e verticalização predatórios nos eixos de transformação, de forma a minimizar seus impactos ambientais e urbanísticos, de forma a reverter o que o Plano Diretor, sob a orientação atual infelizmente deixou para a iniciativa privada conduzir.
Não creio que a verticalização trará vantagens para os mais necessitados, porque não acredito numa desvalorização do valor dos terrenos com essa maior possibilidade de construir de até quatro vezes a área dos lotes. Os preços dos imóveis por m2 (apartamentos) poderão manter-se no atual padrão e talvez ficarem ainda mais caros no miolo do bairro onde haverá maior qualidade urbanística. Como não há ZEIS – Zonas de Interesse Social – significativas nessa região a não ser uma pequena área de ZEIS na rua Djalma Coelho (vide mapa), a única forma de proteger as populações de baixa renda é exigir que a cota de solidariedade de 20% exigida da iniciativa privada quando das novas construções, com o objetivo de criar novas habitações de interesse social no mesmo perímetro do eixo de transformação.
Ivan Maglio
Engenheiro Civil e Dr em Saúde Ambiental. Consultor Especialista em Planejamento Urbano e Ambiental
Coordenou o Plano Diretor Estratégico de 2002 e a Lei dos Planos Regionais e da Disciplina e Uso do Solo de 2004
Diretor da PPA – Política e Planejamento Ambiental Ltda, empresa de consultaria em planejamento urbano e ambiental.
Imagem1 EixosSlide26

São Paulo x Tokio: o planejamento do adensamento e da verticalização no entorno dos eixos de transportes!

Sobre a matéria da Raquel Rolnik publicada na FSP cujo link coloco abaixo
http://www1.folha.uol.com.br/colunas/raquelrolnik/2014/07/1492070-toquio-e-a-forma-de-adensar-a-cidade.shtml

Pois é, só que não! No caso do novo Plano Diretor de São Paulo o adensamento e a verticalização propostos no entorno das estações do metro ocorrerão sem nenhum planejamento ou redeselvovimento, sem conexão com a capacidade de suporte do metro e ocorrerão por conta da iniciativa privada! Vamos ver como ficarão esses territórios!
A proposta do PDE que é o oposto do caso de Tokio, pois propõe-se o adensamento e a verticalização no entorno das estações de metro, VLT e ônibus, deixando toda a reurbanização e o redeselvolvimento para o mercado imobilíario desenvolver! Tudo isso sem avaliar a capacidade suporte do sistema de transporte. Segundo meu amigo Lucio Gregori: “A EMURB, que hoje mudou de nome, aonde fui Diretor de Planejamento, fazia em 1971 (!) o que Raquel Rolnik descobre em 2014 no Japão. Sob a presidência de Roberto Cerqueira César, fazia-se projetos de reurbanização em certas estações do metro, que era municipal. Assim foi Vergueiro , onde está o Centro Cultural, Jabaquara onde está o terminal do litoral e centro comercial, Conceição aonde acabou ficando o centro do Itau ( o que não era o projeto inicial, que previa habitações etc), Santana, que teve problemas politicos e judiciais, etc etc.
Aos 78, tudo fica mais chato e menos “novidade”.Como vi um texto outro dia, já não se fazem liberais como antigamente. Eu acrescentaria, e nem esquerdistas…”

Alias, li num comentário sobre a mat´ria publicada na Folha de São Paulo (em 06/08/2014) o seguinte argumento que parece com outro do mesmo teor que ouvi do relator como resposta à minha defesa da necessidade de elaboração de projetos urbanos e de avaliação de impactos ambientais a ser realizados pelo poder público no perímetro dos adensamentos propostos no entorno dos sistemas de transportes e que me desolou!: ” A autora manifestamente exaltou a alternativa japonesa de desenvolvimento urbano mediante à utilizaçao de uma empresa pública. No Brasil nao daria certo. Primordialmente porque a corrupçao infesta todos os niveis de administraçao e uma empresa pública que se apropria de valor imobiliario é um verdadeiro banquete para funcionarios públicos e secretarios municipais do momento ávidos para tirar proveito de um bem público em beneficio proprio”.
Ou seja, prefere-se entregar logo o planejamento urbano para a iniciativa privada em vez de controlar a corrupação na máquina pública. Falta mesmo uma visão pública nesse novo Plano Diretor!

Para mais detalhes sobre oi Plano Diretor Aprovado segue link para baixar todos os arquivos do PDE

 

http://gestaourbana.prefeitura.sp.gov.br/aquivos-da-lei/