Inconsistências e Problemas do PL 688/2013

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A Vila Madalena no Futuro segundo o Novo Plano Diretor

Proposta de Emendas ao PL 688/2013. Ivan Maglio

  1. EIXOS DE ESTRUTURAÇÃO TRANSFORMAÇÃO URBANA. Artigos 23, §1º As normas de uso e ocupação do solo nos Eixos de Estruturação da Transformação Urbana estão estabelecidos nos artigos, 72, 74, 75 e seguintes.

Sobre a questão dos impactos ambientais contida na proposta urbanística do PL 688/2013 que propõe os mecanismos de verticalização e adensamento propostos nos EIXOS DE ESTRUTURAÇÃO TRANSFORMAÇÃO URBANA com aplicação automática do Coeficiente de Aproveitamento de 4 vezes a área dos terrenos, e sem limitação de estoques construtivos, considera-se que: 

a)   A proposta equivale à aprovação de varias Operações Urbanas em uma grande área do território da cidade, e os eixos, conforme delimitado nos mapas que compõem o PL 688/2013, atravessam vários “tipos” de bairros, inclusive as áreas de proteção aos mananciais da Represa Billings e da Represa Guarapiranga;

b)  O plano propõe um conjunto de intervenções com aplicação automática, que apresentam um potencial de impactos ambientais semelhantes às Operações Urbanas, e que serão aplicados em várias regiões da cidade simultaneamente;

c)  Há no próprio plano, no mínimo, um tratamento díspar de situações análogas, o que equivale a adoção de dois pesos e duas medidas na aplicação da legislação ambiental, ferindo o princípio da precaução na sua integralidade;

d)  Está determinado que para a aprovação de uma Operação Urbana é obrigatório (segundo consta do próprio substitutivo) a realização prévia de um Estudo de Impacto Ambiental para mitigação dos seus efeitos nocivos à qualidade ambiental.  Entretanto, no caso da proposta do atual plano diretor que contém várias Áreas de Intervenção Urbana que são os Eixos de Transformação Urbana estes mesmos instrumentos de avaliação ambiental previstos na legislação urbanística e ambiental não são aplicados e/ou exigíveis;

e) Notadamente, os chamados eixos de estruturação urbana induzirão a ocupação no interior das áreas de proteção aos mananciais Billings e Guarapiranga, protegidas por legislação estadual, o que resulta em conflito de interesses, em flagrante ilegalidade, e comprometimento das metas estabelecidas em conjunto (Estado/Municípios) para a melhoria  e manutenção das condições ambientais da áreas protegidas;

f)   A aplicação automática do Coeficiente de Aproveitamento de 4 vezes a área dos lotes inseridos nesses eixos, intervém em todos os territórios do município, altera o determinado nos Planos Regionais Estratégicos e, ainda, modifica o zoneamento aprovado para as subprefeituras pela Lei 13.885/2004;

g)   A imposição da Implantação de Eixos de Transformação Urbana, conforme proposto no PL, retira do cidadão o direito a se expressar sobre o que vai ocorrer no zoneamento de seu bairro e na respectiva Subprefeitura, sem contar que novos corredores poderão vir a ser criados por interesse do Executivo, sem a oitiva da população;

h)A proposta de criação dos eixos, na forma apresentada, fere o artigo 2º da Lei Federal 10.257/2001, inciso VIII, no tocante a “adoção de padrões de produção e consumo de bens e serviços e de expansão urbana compatíveis com os limites da sustentabilidade ambiental, social e econômica do Município e do território sob sua área de influência”, uma vez que não há demonstração da capacidade de suporte para a aplicação automática dos denominados “eixos de transformação urbana” propostos no projeto de lei que terão aplicação imediata após a aprovação do Plano Diretor sem que haja a necessidade de qualquer regulamentação.

i) A imposição dos eixos de transformação em determinadas áreas do espaço urbano cria um novo zoneamento, cujos efeitos e consequências a população não foi suficientemente cientificada.  

5)Para superar todos os impasses demonstrados, torna-se medida prudente, Propões-se as seguintes emendas:

a)    Antes da aplicação de quaisquer perímetros dos  Eixos de estruturação da Transformação urbana , deverão ser apresentados os cálculos e a avaliação urbanística e ambiental  que justifiquem a verticalização no(s) eixo(s) proposto(s) no PL 688/13 em função dos respectivos estoques efetivamente permitidos, a luz do artigo 212,parágrafos 1o a 5o da Lei Nº 13.430/2002, bem como do artigo 200 e 225 da Lei 13.885/2004 (atual Lei de Uso do Solo), e do artigo 2º da Lei Federal 10.257/2001.

b)    Reconhecimento de que os “Eixos de Transformação Urbana” são, de fato, “Áreas de Intervenção Urbana”, e que devem receber o tratamento previsto no artigo 137 do PL 688/2013, que resulta na obrigatoriedade da aprovação de leis específicas para cada um dos eixos que deverão ser aprovadas em conjunto ou não com a revisão da Lei 13.885/2004, Lei dos Planos Regionais Estratégicos – PRE;

Proposta de Emenda:

Artigos 23, §1º As normas de uso e ocupação do solo nos Eixos de Estruturação da Transformação Urbana estão estabelecidos nos artigos, 72, 74, 75 e seguintes. No Artigo 72, inserir no § 2º As áreas de influência dos eixos, definidas segundo os critérios dispostos no caput e no parágrafo primeiro deste artigo, estão delimitadas nos Mapas 3 e 3 Anexos a esta lei – As áreas delimitadas nesses Mapas são consideradas Áreas de Intervenção Urbana de acordo com o artigo 137 do PL 688/2013, aplicando- se o disposto no seu § 3º .

c)    Supressão dos eixos que interferem nas áreas de proteção ambiental, Lei Estadual 9.866/1977, e que conflitam com os parâmetros de ocupação definidos naquela lei;

d)    Inserir no PL a diretriz urbanística de introdução no espaço urbano dos eixos propostos no PL 688/2013 de forma paulatina, ou seja, num primeiro momento os eixos situados ao longo da rede metroviária existente; numa segunda etapa as áreas delimitadas pelas linhas de VLT e monotrilhos e, por último, os corredores de ônibus existentes. Propõe-se que cada etapa de implantação deva ser acompanhada tanto pela Administração, por “membros dos núcleos permanentes de  planejamento regional” quanto por representantes dos munícipes de forma a avaliar,  validar e revisar todo o processo;

e)    Proposta de Emenda ao Art. 79. As condições de instalação de usos e atividades e os índices e parâmetros de ocupação estabelecidos nesta lei para as áreas de influência dos eixos de estruturação da transformação urbana planejados, delimitados no Mapa 3A anexo, somente passarão a vigorar após o início das obras das infraestruturas do sistema de transporte que define o eixo mediante leis específicas de acordo com o Artigo 137 da presente Lei de acordo com as regras exigidas para as Áreas de Intervenção Urbanas e preferencialmente em conjunto com a revisão da Lei 13885/2004.  § 1º A vigência da disciplina de que trata o caput será declarado por lei específica por perímetros específicos, que indicará qual a área de influência do eixo ou trecho de eixo, constante do Mapa 3A anexo, corresponde à obra iniciada nos termos do caput. § 2º Consideram-se iniciadas as obras de infraestrutura, quando da implantação do canteiro de obras e do efetivo início dos trabalhos, após a emissão pelos órgãos competentes de todas as autorizações e licenças, especialmente a licença ambiental, correspondentes à obra em questão. § 3º A criação de eixos de estruturação da transformação urbana, não demarcados nos Mapas 3 e 3A, ou a alteração de seus traçados e de suas áreas de influência deverão ser objeto de lei específica, ou de delimitação específica no âmbito da LPUOS. § 4º Nos projetos urbanos associados à implantação dos sistemas de transporte coletivo referidos neste artigo, deverá ser promovido o atendimento da população afetada, mediante a priorização da implantação de HIS, equipamentos urbanos e sociais e áreas verdes.

Proposta de Emenda ao §2º do Art. 336, e criação de novo artigo. Projeto de lei de revisão da Lei 13.885, de 25 de agosto de 2004 – LPUOS,deverá ser encaminhado à Câmara Municipal no prazo de 180 (cento e oitenta dias) contados a partir da entrada em vigor desta lei.

§2º Até que seja feita a revisão da LPUOS prevista no caput, não se aplicam: I -os estoques de potencial construtivo estabelecidos no artigo 200 e Quadro nº 08 da Parte III da lei citada, exclusivamente: a)nas áreas de influência dos eixos de estruturação da transformação urbana, de acordo com os Mapas nº 3 e 3A desta lei; b)nas áreas delimitadas pelos perímetros de incentivo ao desenvolvimento, de acordo com o Mapa 2A desta lei; c)nas zonas especiais de interesse social – ZEIS, de acordo com o Mapa 4 anexo; d)nos empreendimentos de interesse social – EHIS e empreendimentos de mercado popular – EHMP; e) aos empreendimentos residenciais quando estes não ultrapassarem o potencial construtivo correspondente ao coeficiente de aproveitamento igual a 2 (dois). II – a limitação de área construída computável máxima prevista nos quadros 2d e 4 anexos à Lei n˚ 13.885, de 2004. III – a proibição de instalação dos usos não residenciais da subcategoria nR2 e dos grupos de atividades previstos no Quadro 2e, anexo à Lei n˚ 13.885, de 2004, nos imóveis com frente para vias locais nas zonas mistas; IV – a proibição de instalação de atividades do grupo Serviços de Administração Pública nas Zonas de Centralidade Polar – ZCP e Zonas de Centralidade Linear – ZCL.

§X. As leis específicas de AIUS instituídas para implantação de perímetros delimitados nos eixos de estruturação urbana deverão definir os estoques limites aplicados ao respectivo perímetro, serem objeto de projeto urbanístico específico, estudos ambientais adequados à dimensão da respectiva área, e definição de infraestruturas e condicionantes urbanísticas necessárias para sua implantação.

§y  Eliminação dos eixos que interferem nas áreas de proteção ambiental, Lei Estadual 9.866/1977, e que conflitam com os parâmetros de ocupação definidos nos Mapas 3 e 3a e os quadros correspondentes;

  1. Sobre a Macroárea de Estruturação Metropolitano definida na   Subseção I – Da Macroárea de Estruturação Metropolitana

A Macroárea de Estruturação urbana é um Plano dentro do Plano com parâmetros excessivamente aberto que fogem ao controle dos limites definidos no próprio Plano Diretor Estratégico

Art. 11. A Macroárea de Estruturação Metropolitana abrange áreas das planícies fluviais dos Rios Tietê, Pinheiros e Tamanduateí, com articulação com o Centro e prolongamento junto às avenidas Jacu-Pêssego, Cupecê e Raimundo Pereira de Magalhães e das rodovias Anhanguera e Fernão Dias e caracteriza-se pela existência de vias estruturais, sistema ferroviário e rodovias que articulam diferentes municípios e polos de empregos da Região Metropolitana de São Paulo, onde se verificam processos de transformação econômica e de padrões de uso e ocupação do solo, com a necessidade de equilíbrio na relação entre emprego e moradia. Parágrafo único. As porções do territórios que integram a Macroárea de Estruturação Metropolitana passam por processos de mudanças nos padrões de uso e ocupação e conversão econômica, com concentração de oportunidades de trabalho e emprego geradas pela existência de legados industriais herdados do passado, novas atividades produtivas, polos de atividades terciárias, grandes vias estruturais e infraestruturas que fazem parte dos sistemas de transporte coletivo de massa.

Inserir parágrafo/emenda:

 No perímetro da Macroárea de Estruturação Metropolitana não poderá ser aplicada a Concessão Urbanística

 

Emendas no Quadro 02A – Características de Aproveitamento Construtivo por Macroárea

(aplicáveis fora das áreas de influência dos Eixos de Estruturação da Transformação Urbana)

Anexo à Lei nº

c) Os coeficientes de aproveitamento máximo, o gabarito de altura da edificação e o número máximo de pavimentos nas áreas de abrangência das operações urbanas consorciadas não poderão ultrapassar o CA máximo 4. dos e com a utilização das leis: 8.006/1974 – hotéis; 13.703/2003 – teatros; 14.242/2006 – hospitais e Lei 15.526/2012 – hospitais e escolas.

  1. Mudança da Lei de Uso do Solo sem discussão com as comunidades afetadas

Em relação ao Zoneamento Atual, as zonas de uso com Coeficiente de Aproveitamento (CAs) maiores ou iguais a 2 são as Zonas mistas ZM2, Zm3a e Zm3b; Zonas de Centralidade Linear ou Polar, ZCPa e ZCPb. . Essas zonas representam 22 milhões de m² de terrenos com possibilidade de atingir um CA 4,0 (2% da cidade) entre ZCPa e ZCPb, 9 milhões de m² de terrenos com CA 3,0 em Zm3b, 72 milhões de m² de terrenos com CA 2,5 em ZM3a e ZM3b, ainda, 163 milhões com CA 2,0 em zonas ZM 2,0. Estas zonas totalizam 266 milhões de m² com CA maior ou igual a 2,0, no âmbito do zoneamento em vigor.

O Artigo 339 e o Quadro 2A, estabelecem a proposta de mudança de zoneamento contida no PL 688/2013, transforma todas as zonas de uso situadas no miolo dos bairros em zonas com CA máximo de 2,0, com a limitação de gabarito para prédios de 8 andares, e com aplicação de outorga onerosa. A mudança ocorrerá sem que o processo tenha permitido ao cidadão conhecer e se expressar sobre o que vai ocorrer no zoneamento de seu bairro e na respectiva Subprefeitura, conforme expresso nos artigos abaixo:

Art. 338. Os coeficientes de aproveitamento básico estabelecidos nos quadros 02 e 02A desta lei não poderão ser alterados pela LPUOS ou por lei específica são matéria exclusiva do plano diretor estratégico.

Art. 339. Os coeficientes de aproveitamento máximo poderão ser redefinidos na revisão da Lei 13.885, de2004, não podendo ultrapassar os limites estabelecidos nos Quadros 2 e 2A, ressalvadas as situações previstas neste PDE.

Tal mudança consuma-se no Artigo 341, “§2º, no qual O PL esta mudando a Lei 13.885/04 e permitindo construir nR2 em vias locais, elimina os estoques de potencial construtivo DISPONÍVEL PARA CONSTRUIR R2v e contem  dispositivos que alteram a Lei 13.885/04, em muitos aspectos de fundamental importância.

Propõe-se a eliminação desse artigo.

Artigo 341, “§2º – Até que seja feita a revisão da LPUOS prevista no caput, não se aplicam:

I – os estoques de potencial construtivo estabelecidos no artigo 200 e Quadro nº 08 da Parte III da lei citada, exclusivamente:

a) nas áreas de influência dos eixos de estruturação da transformação urbana, de acordo com os Mapas nº 3 e 3A desta lei;

b) nas áreas delimitadas pelos perímetros de incentivo ao desenvolvimento, de acordo com o Mapa 13 desta lei;

c) nas zonas especiais de interesse social – ZEIS, de acordo com o Mapa 4 anexo;

d) nos empreendimentos de interesse social – EHIS e empreendimentos de mercado popular – EHMP;

e) aos empreendimentos residenciais quando estes não ultrapassarem o potencial construtivo correspondente ao coeficiente de aproveitamento igual a 2 (dois).

II – a limitação de área construída computável máxima prevista nos quadros 2d e 4 anexos à Lei n˚ 13.885 de 2004.

III – a proibição de instalação dos usos não residenciais da subcategoria nR2 e dos grupos de atividades previstos no Quadro 2e anexo à Lei n˚ 13.885 de 2004 nos imóveis com frente para vias locais nas zonas mistas;

IV – a proibição de instalação de atividades do grupo Serviços de Administração Pública nas Zonas de Centralidade Polar – ZCP e Zonas de Centralidade Linear – ZCL. “

 

 

 

 

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Um comentário sobre “Inconsistências e Problemas do PL 688/2013

  1. […] simula como ficará a Vila, com a aprovação do novo Plano Diretor de São Paulo. Reproduzida do blogue do engenheiro Ivan Maglio, ex-diretor de Planos Urbanos da Secretaria de Planejamento do […]

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