Despedida ao mestre Jorge Wilheim

Na última sexta feira 14/02/2014 perdemos o grande urbanista, arquiteto e humanista Jorge Wilheim. Desde então, não consigo parar de recordar os grandes momentos compartilhados com o mestre Jorge Wilheim nestes nossos quase 30 anos de amizade e trabalhos conjuntos. Fica uma lacuna tão dolorosa que ainda não sei como vou superar. Nossa convivência foi num crescendo e foi se solidificando uma sintonia fina e estimulante, como nunca pude compartilhar em uma viagem intelectual, de criatividade, de inspiração e de busca pela transformação e na defesa do interesse público, com ninguém. Aprendi a pensar a cidade com ele, cresci na área ambiental a partir dele. Desbravamos territórios e conquistamos vitórias juntos. Desde a criação da Secretaria Estadual do Meio Ambiente, em 1987 que organizamos juntos, passando por vários trabalhos de consultoria, até o grande momento em que coordenamos juntos e com grande felicidade a aprovação do Plano Diretor Estratégico de 2002 e depois o novo zoneamento e os Planos Regionais Estratégicos em 2004. Foi um ponto alto para nós dois que nos irmanou para sempre. Depois disso foram sempre outros momentos compartilhados, mas sempre com a mesma energia e prazer em busca de novas criações. Na minha defesa de Tese de Doutorado sobre A Sustentabilidade no Planejamento Urbano, fiz questão de tê-lo como o sexto membro na mesa de defesa, pelo qual agradeço ao meu orientador Arlindo Phillippi que deu-nos essa oportunidade de fazer a Universidade de São Paulo, informalmente reconhecê-lo como o maior urbanista do Brasil. Meu último trabalho com ele foi estudando as Estações do Trem de Alta Velocidade. Foi emocionante ver a criatividade dele e a paixão com o qual ele agarrava cada trabalho, e a inteligência no método de realizá-lo Que tesão pela vida!
Enfim, por ora, um vazio invade minha alma, e não sei como vou conseguir deixar essa emoção ir embora ….Em nosso
último encontro no gabinete do vereador Nabil Bonduki para discutir a segunda fase da tramitação do Plano Diretor, ele brincou que eu ficara grisalho, e eu respondia que ele continuava jovem e cheio de energia.
Estávamos no meio dessa nova batalha pelo novo Plano Diretor, quando soube pela Folha de São Paulo que ele me indicara para substituí-lo no debate promovido por aquele jornal no final de Novembro de 2013. Soube por ele mesmo do acidente. Após o debate no outro dia, ele ligou-me para saber dos detalhes, com grande interesse nos resultados. Eu jamais imaginaria que aquela seria nossa última conversa sobre o planejamento urbano de nossa querida São Paulo.
Com certeza sua obra fará com que muitos jovens continuem a pensar e agir em defesa de uma cidade, melhor, mais justa, democrática e sustentavel.

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