Plano Diretor – Mais do Mesmo!

Plano Diretor – Mais do Mesmo! Raquel Rolnik

Além disso, uma coisa é a orientação geral de adensar as áreas próximas aos eixos de transporte público, outra é como isso se aplica concretamente a territórios muito distintos que os eixos de transporte vão atravessando: algumas áreas são mais vulneráveis do ponto de vista ambiental, outras requerem maior atenção em relação à proteção da paisagem, apenas para citar alguns exemplos. Então é fundamental que seja feito um ajuste fino para que essa diretriz genérica não se sobreponha a características particulares de cada uma das áreas por onde passam os eixos de transporte público.

É importante lembrar também que na proposta do plano, entre as malhas mais adensadas e com maior misturas de usos estarão zonas mais exclusivamente residenciais, e é importante que o modelo de ocupação dessas zonas também possa variar, com diversidade de tipos, para que não tenhamos apenas zonas residenciais de grandes terrenos para as classes altas, mas que possamos ter também zonas exclusivamente residenciais de sobradinhos geminados, por exemplo…

Este plano aponta para um conceito novo, mas, como diz o ditado “o diabo mora nos detalhes”…

 

Prezada Professora Raquel Rolnik

Na verdade a proposta em discussão visa atender mesmo e se alinha com os interesses imobiliários ao permitir sem controle do adensamento construtivo para até 4 vezes a área dos terrenos em todos os eixos de transporte, isso sem nenhuma avaliação do impacto ambiental que tal medida causará. É como se fossem executadas varias operações urbanas simultaneamente em todos estes corredores de tráfego da cidade, sem avaliação do impacto ambiental. Outro aspecto é a redução da formula da cobrança da Outorga Onerosa do Direito de Construir (até quatro vezes a área dos terrenos. Quem constrói mais pagará menos! Ou seja, pretende-se mesmo aumentar a arrecadação, à exemplo do IPTU, com graves prejuízos para a qualidade ambiental da cidade! E além disso, serão corredores de zoneamento em toda a cidade, já no Plano Diretor, desconstruindo o zoneamento existente e os Planos Regionais Estratégicos das Subprefeituras.

Talvez esse seja mesmo o objetivo!

 

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Plano Diretor ou Banco Imobiliário?

Plano Diretor ou Banco Imobiliário?

“Estamos dando incentivos e regulando os investimentos para que ao longo dos eixos de transporte se possa construir mais e melhor. A ideia é fazer um adensamento construtivo, mais gente morando e usufruindo do transporte público”, afirma. Um desses estímulos é a mudança do cálculo da chamada outorga onerosa, taxa cobrada para que empreendimentos privados construam mais do que é permitido pela Lei de Zoneamento em cada área. Seria uma forma de compensar os empreendedores”. Secretario de Desenvolvimento Urbano

Qual é a regulação? quando se permite o Ca 4 (para densar ao longo dos corredores) e premiando quem constrói mais. Quando os urbanistas vão pensar na questão ambiental?. O Zoneamento já é alterado no Plano Diretor criando áreas com várias Operações Urbanas Simultâneas e com alto risco ambiental e à sustentabilidade urbana. Pode -se fortalecer os eixos de transporte mas sem dar um cheque em branco para o mercado imobiliário. Quem vai ganhar com isso  ?  

São Paulo – Sustentabilidade em Risco

São Paulo – Sustentabilidade em Risco

Plano Direto – São Paulo mais inviável? Na verdade a proposta em discussão visa atender mesmo e se alinha com os interesses imobiliários ao permitir sem controle do adensamento construtivo para até 4 vezes a área dos terrenos em todos os eixos de transporte, isso sem nenhuma avaliação do impacto ambiental que tal medida causará. É como se fossem executadas varias operações urbanas simultaneamente em todos estes corredores de tráfego da cidade, sem avaliação do impacto ambiental. Outro aspecto é a redução da formula da cobrança da Outorga Onerosa do Direito de Construir (até quatro vezes a área dos terrenos. Quem constrói mais pagará menos! Ou seja, pretende-se mesmo aumentar a arrecadação, à exemplo do IPTU, com graves prejuízos para a qualidade ambiental da cidade! E além disso, serão corredores de zoneamento em toda a cidade, já no Plano Diretor, desconstruindo o zoneamento existente e os Planos Regionais Estratégicos das Subprefeituras. 

http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2013/08/1331935-analise-plano-tem-polemicas-mas-pode-tornar-sao-paulo-mais-viavel.shtml

Plano Diretor – Utilidade para quem?

Plano Diretor – Utilidade para quem?

Meu prezado João Sette Whitaker Ferreira 

É uma pena que o custo ambiental da proposta do Plano Diretor que afetará a todos os cidadãos não faça parte de sua análise, ou seja tão pouco ressaltado em sua crítica. A alienação do “lugar”, do ambiente como diria o geógrafo David Harvey é tão grave quanto o apartheid social! Sou favorável à pressão para que uma contrapartida social seja incluída no âmbito da proposta do Plano Diretor Estratégico, mas, considero uma temeridade a permissão de todo esse adensamento proposto em torno dos corredores, como uma regra de zoneamento, diga-se ilegal, já presente no plano, e que afetará toda a cidade, com um impacto ambiental semelhante à várias operações urbanas simultâneas!. Portanto, o custo social da proposta como está é alto tanto do ponto de vista social e ambiental. Favorecerá de fato, o mercado imobiliário que poderá construir até 4 vezes em todos os corredores de tráfego, sem controle algum e com o valor da outorga onerosa menor para quem construir mais!. O Executivo municipal de São Paulo desrespeitará toda a legislação ambiental com essa proposta e colocará em risco a sustentabilidade ambiental da cidade!

A morte do Rio São Domingos

Nota de falecimento: Morreu hoje, 29/10/2013, aproximadamente às 17,00 horas, Rio São Domingos. Conhecido pelos antigos como Japurá. Seu corpo será velado em sua própria residência. Antes de seu último suspiro, fez pedido. Um único desejo. O de não ser enterrado. Quer permanecer ali mesmo, onde morreu a putrefazer-se por inteiro.

Meu Rio São Domingos morreu. Seus restos mortais ainda podem ser vistos cobertos por escuras águas. Japurá, seu espírito, que permanecia e lutava cheio de esperanças, se desgarrou de vez do corpo. Arrebentando o último fio de prata que restava, partiu em busca dos índios antigos que habitaram suas margens. Não chorem por ele. Não sofreu, nem sentiu dores. Era mesmo só espírito, um zumbi que vinha nas noites. Enquanto todos dormiam. Mas nos resta ainda uma última esperança. E somente uma. Uma magia, uma cura, feita por alguém que ainda corra em suas veias o sangue de antigas tribos; um pajé, uma pajelança. Teremos cada um de nós, velas nas mãos, acesas, dançarmos em suas barrancas. Pedir perdão de joelhos aos deuses da natureza e a nós mesmos, por nossa insensatez, por nossa intemperança.
Morreu nosso pobre Rio. E foi morte anunciada. Quando trocaram seu nome. Quando viramos povoado, cidade. Quando nos juntamos sobre ele, devorando suas águas. Culpa deles! Culpa nossa! Agora já não importa. Ha muerto nuestro río, sin lágrimas, sin dolor, sin sentimiento.