Ciclo UrbanSus: Sustentabilidade Urbana – Sustentabilidade nas Cidades Painel III: Instrumentos de Política, Planejamento e Gestão Urbana: da teoria à prática – Ivan Maglio IEA – USP Cidades Globais

Urbansus. Painel – Instrumentos de Gestáo Urbana – da Teoria a Prática

Apresentação realizada no IEA USP em 12/06/2018

Anúncios

Pela preservação do Parque Anhembi Lei municipal põe em risco futuro de um patrimônio de SP

Ana Maria Wilheim e Ivan Carlos Maglio35541629_2002859346413209_6687448278134423552_n
O prefeito de São Paulo, Bruno Covas, sancionou a lei municipal 16.886, em 4 de maio deste ano, que definiu índices urbanísticos que regulamentam o potencial construtivo para a privatização do terreno que contém as edificações do complexo do Parque Anhembi: Palácio de Convenções, Pavilhão de Exposições e o Sambódromo.
No lugar de preservar edificações emblemáticas na paisagem urbana e com imenso significado histórico, cultural e econômico, a atual administração colocara à venda esse patrimônio sem a garantia de preservação dessas edificações, à exceção do Sambódromo, projeto de Oscar Niemeyer (1907-2012).
Muito nos indigna ver que os desafios contábeis da administração pública coloquem em risco obras como essa, que foram marcantes para a arquitetura, engenharia, e para o setor de feiras e exposições idealizadas pelo empresário Caio de Alcântara Machado (1926-2003), tendo apoio do então prefeito Faria Lima (1909-1969).
O Complexo Anhembi (Convenções e Exposições) é projeto arquitetônico de Jorge Wilheim (1928-2014) e de Miguel Juliano (1928-2009), com paisagismo de Burle Marx (1909-1994), projeto de engenharia de Mario Franco (Convenções), cálculo da estrutura de Cedric Marsh (1924-2013), e um projeto de estruturas metálicas de alumínio de Fichet Schwartz Hautmont, com a execução da obra coordenada por Eduardo Moraes Dantas.
A construção do Centro de Exposições do Parque Anhembi representou um imenso desafio arquitetônico e um projeto inovador de engenharia: Em dezembro de 1969, uma estrutura metálica tubular de 70 mil metros quadrados (equivalente a cinco quarteirões) foi construída no chão e erguida simultaneamente por sistema de macaco e 25 guindastes, durante 10 horas de trabalhos ininterruptos, envolvendo 200 trabalhadores.
Também o Palácio das Convenções apresenta inovações em seu projeto de estrutura em forma poliédrica em casca. Cinquenta anos depois, este espaço de feiras e eventos corre o risco de desaparecer, devido à ausência de medidas e políticas públicas de proteção ao patrimônio arquitetônico da cidade, e pelo crescimento da especulação imobiliária na região em função das diretrizes da atual administração municipal, que as estimula, em detrimento da preservação de patrimônios públicos, considerados de grande relevância social, econômica e arquitetônica.
O Complexo Anhembi é vítima dessa política, institucionalizada por meio da Lei 16.766, de dezembro de 2017, e pela lei municipal 16.886, de 4 de Maio de 2018, aprovada pela Câmara Municipal e sancionada pela administração municipal.
A combinação dessas leis autoriza a alienação da participação societária detida pelo município de São Paulo na SP Turismo. Esta detém a propriedade e os direitos pelo terreno e edificações do Complexo Anhembi e define índices e parâmetros de parcelamento, uso e ocupação do solo a serem observados na elaboração de Projeto de Intervenção Urbana – PIU do Anhembi.
Tal projeto está em processo de formulação, e ambas não garantem a preservação desse patrimônio. Essas aprovações colocam sob grave risco as edificações do Complexo Anhembi, não protegidas pelo Conpresp (Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo), que não considerou relevante o tombamento das edificações do Pavilhão de Exposições e do Palácio das Convenções, que representam parte da memória e da expressão cultural e econômica da cidade.
Defendemos a modernização da cidade com a preservação de seu patrimônio arquitetônico, histórico e cultural, e propomos a preservação dos referenciais de paisagem urbana, econômica, social e cultural. O Parque Anhembi precisa ser preservado no contexto dos desafios de evolução econômica e tecnológica da cidade. Para tanto, o Projeto de Intervenção Urbana – PIU e o edital de privatização do Anhembi, em elaboração, devem garantir a preservação das edificações do Parque Anhembi, de acordo com projeto original —evitando assim, seu desaparecimento.
A Concessão do complexo poderia ser o equilíbrio entre a preservação com modernização, indução do uso pelo poder público e ordenamento espacial, e parceria com as forças de mercado!
(a) com a mera venda (privatização), a Prefeitura perde a oportunidade de induzir o uso daquele espaço que é estratégico para o futuro da cidade (pela escala e pela localização). O ordenamento espacial de uma cidade é função pública e o governo usar as forças de mercado para o interesse coletivo dentro de uma visão de longo prazo;
(b) a gestão pública (solução estatista) foi ineficiente e a venda (solução privatista) também o será, inclusive porque o momento de ciclo econômico é péssimo (vai se vender mal). O caminho está no meio, que é uma concessão via parceria público-privada (PPP);
(c) a modelagem e o projeto do URBEM (que prevê a preservação do patrimônio) foi feita com escuta ampla de interesses de mercado e fundada em interesses públicos de longo prazo para a cidade.
Ainda há tempo de salvar o Parque Anhembi.
Ana Maria Wilheim
Socióloga e gestora do projeto Legado Jorge Wilheim
Ivan Carlos Maglio
Engenheiro civil, mestre e doutor em meio ambiente e consultor em planejamento urbano e ambiental
Publicado em https://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2018/06/ana-maria-wilheim-e-ivan-carlos-maglio-pela-preservacao-do-parque-anhembi.shtml?utm_source=facebook&utm_medium=social&utm_campaign=compfb
PIU ANHEMBI
30652205_1719421498096089_5355153292680757248_n

CARTA MANIFESTO PELA PRESERVACAO DO PARQUE ANHEMBI

A atual administração municipal de São Paulo colocou à venda o terreno e as edificações do Palácio de Convenções, Pavilhão de Exposições e o Sambódromo.

O Complexo Anhembi (Convenções e Exposições) é projeto arquitetônico de Jorge Wilheim e de Miguel Juliano, com paisagismo de Burle Marx, projeto de engenharia de Mario Franco (Convenções), cálculo da estrutura por Cedric Marsh, projeto de estruturas metálicas de Fichet Schwartz-Hautmont, e com a execução da obra coordenada por Eduardo Moraes Dantas.

Foram projetados na década de 60 por solicitação do empresário Caio Alcântara Machado, precursor das feiras de negócios em São Paulo, como o Salão do Automóvel, Utilidades Domésticas (UD), Feira Nacional da Industria Têxtil (Fenit), Salão da Criança e tantos outros.

Empresário visionário, entendia que São Paulo precisava de um espaço de grandes dimensões para acolher este tipo de negócio.

Contrata então o escritório Jorge Wilheim Arquitetos Associados para idealização e execução do projeto arquitetônico.

O projeto do Parque Anhembi foi um imenso desafio arquitetônico e de engenharia:

Uma estrutura metálica tubular de 70 mil metros quadrados (equivalente a cinco quarteirões) construída no chão e erguida simultaneamente por sistema de macaco e 25 guindastes, reunindo 200 operários e técnicos, que em aproximadamente 10 horas tiraram do chão e colocaram a estrutura de alumínio calculada pela engenharia canadense que na década de 1960 já se beneficiava da computação.

O Pavilhão de Exposições foi erguido em 13 de dezembro de 1969: inédito no Brasil e no mundo, revelando um sucesso e uma ousadia de todos os envolvidos!

Assim como os empresários da época entenderam sua importância e significado para a cidade como marco da evolução dos serviços terciários na São Paulo até então Industrial, a administração pública representada pelo prefeito Faria Lima apoiou e concedeu o terreno para sua execução.

50 anos depois, este reconhecido espaço de eventos corre o risco de desaparecer para fazer “caixa” aos cofres públicos. Nenhuma medida de proteção ao patrimônio arquitetônico foi tomada e todas as medidas de valorização do terreno estão sendo centradas para estimular sua comercialização, como produto de interesse, apenas de interesse imobiliário privado.

A administração municipal deve demonstrar, com transparência a compatibilidade dos aspectos econômicos, ambientais e histórico culturais para garantir o interesse público, ante as leis que estão sendo aprovadas a partir de Lei 16.766 em dezembro de 2017 e o Projeto de Lei 11/2018 já aprovado em primeira votação em 05/04/2018 pela câmara municipal.

E deve também tomar as medidas cabíveis para a preservação das edificações do Complexo Anhembi, que precisam ser preservadas como patrimônio cultural da cidade.

O valor desse patrimônio público está avaliado em cerca de 295 milhões de reais, sem contar o que poderá ser obtido pela liberação de cerca de 1.680.000 m2 de potencial construtivo para a área do Complexo Anhembi, a partir dos parâmetros urbanísticos definido no projeto de lei 11/2018, que altera a lei de uso e ocupação do solo da cidade aprovada em 2016 e pode modificar premissas urbanísticas do Plano Diretor Estratégico aprovado em 2014.

Defendemos a modernização da cidade com a preservação de seu patrimônio arquitetônico, histórico e cultural.

Apelamos ao Prefeito de São Paulo, Secretários e aos Vereadores que protejam as edificações do Parque Anhembi, de acordo com projeto original, impedindo o seu desaparecimento.

Atenciosamente,

Joanna Wilheim

Carlos Wilheim

Ana Maria Wilheim

Og Doria

Icaro Wilheim Doria

Kim Wilheim Doria

Pela família e pelo Legado

Mario Franco,

Paulo Mendes da Rocha,

Ruy Ohtake,

Rosa Grena Kliass

Ivan Maglio

Paulo Jose Villela Lomar

Privatização do Complexo Anhembi a quem serve?

30652205_1719421498096089_5355153292680757248_nO PL 11/2018 encaminhado pelo governo municipal e desde 5/4 aprovado com pouquíssima divulgação pela Câmara Municipal em primeira votação foi realizado sem a apresentação pela administração municipal de um estudo econômico, urbanístico e ambiental profundo e sério que justificasse suas proposições como meio para atendimento do bem comum. Esse estudo deveria analisar os impactos econômicos, urbanísticos e ambientais para a região norte da cidade.

Não se pode partir, a priori, do pressuposto de que apenas o ato de transferir esse patrimônio arquitetônico e cultural para o agente econômico privado atenderia o interesse público. A falta de demonstração do interesse público e de sua conformidade com o bem público, e o que mais for cabível e necessário, sob todos os aspectos pertinentes.

A administração municipal tem que demonstrar, com transparência e completude, a compatibilidade de todos os aspectos econômicos, urbanísticos e ambientais e culturais com o interesse público.

O Projeto de Lei coloca em grave risco a preservação das edificações do Complexo Anhembi por não haver nenhum tombamento ou perspectiva de tombamento das edificações do Pavilhão de Exposições e do Palácio das Convenções, que representam parte da memória e da expressão cultural e econômica da cidade.

O projeto do Parque Anhembi foi um imenso desafio arquitetônico e de engenharia: Uma estrutura metálica tubular de 70 mil metros quadrados (equivalente a cinco quarteirões) construída no chão e erguida simultaneamente por sistema de macaco e 25 guindastes, reunindo trabalhadores, que em 10 horas tiraram do chão e colocaram a estrutura de alumínio calculada pela engenharia canadense que na década de 1960 já se beneficiava da computação.

O Pavilhão de Exposições foi erguido em 13 de dezembro de 1969: inédito no Brasil e no mundo, revelando um sucesso e uma ousadia de todos os envolvidos.

50 anos depois, este reconhecido espaço de eventos corre o risco de desaparecer para fazer “caixa” aos cofres públicos. Nenhuma medida de proteção ao patrimônio arquitetônico foi tomada e todas as medidas de valorização do terreno estão sendo centradas para estimular sua comercialização, como produto de interesse apenas de interesse imobiliário privado.

O valor desse patrimônio público está avaliado em cerca de 295 milhões de reais, sem contar o que poderá ser obtido pela liberação de cerca de 1.680.000 m2 de potencial construtivo para a área do complexo Anhembi, a partir dos parâmetros urbanísticos aprovados nesse projeto de lei, que altera a lei de uso e ocupação do solo da cidade e pode modificar premissas urbanísticas do Plano Diretor Estratégico aprovado em 2014.

Um Projeto de Intervenção Urbano ainda em elaboração pela prefeitura apenas deverá sacramentar os impactos econômico, urbanístico e ambiental provocados pelas transformações potenciais já aprovadas em 1a votação pela câmara municipal. .

“O líder da oposição Antônio Donato (PT) foi um dos oito parlamentares que votaram contra a aprovação do Projeto. Um dos motivos seria a diminuição do fator de planejamento e a de 30% no valor da outorga onerosa. “Combinados esses dois aspectos, você tem um prejuízo de R$ 300 milhões para a cidade de São Paulo”.

http://documentacao.camara.sp.gov.br/iah/fulltext/projeto/PL0011-2018.pdf

Projeto de Lei (PL) 11/2018

Árvores versus paredes verdes

Uma cidade sustentável e resiliente precisa proteger suas arvores urbanas

Blog do Buckeridge

Marcos Buckeridge e Giuliano Locosseli & Ricardo Cardim

email: msbuck@usp.br

A empresa Tishman Speyer  desmatou para um empreendimento residencial em 2013, 856 árvores de um terreno no Morumbi, na Zona Sul. Entre elas, espécies nativas, como cambuí, canela e pau-jacaré. Para poder derrubá-las, a construtora fechou, em 2009, durante a gestão Gilberto Kassab (PSD), um plano de compensação ambiental. Termo de Compensação Ambiental (TCA) do condomínio no Morumbi foi assinado em 2012, ainda na gestão do ex-prefeito Gilberto Kassab (PSD), e previa como contrapartida pelo corte de quase 900 árvores a conversão de 26.281 mudas de árvores compensatórias, equivalentes a cerca de R$ 13 milhões, em obras para instalação de quatro parques lineares na zona sul: Horto do Ipê, Paraisópolis, Morumbi Sul e Itapaiuna. Na Gestão Haddad, esse passivo foi trocado por jardins verticais no Minhocão e em 23 de maio de 2017, tudo com um mesmo prestador de serviços…

Ver o post original 1.395 mais palavras